
Com 50 estandes, mais de 1.500 obras e galerias de quatro estados, a FARGO 2026 marca uma virada no circuito nacional e consolida o Centro-Oeste como polo emergente de arte e investimento
Goiânia, maio de 2025 – Há momentos em que uma feira de arte deixa de ser apenas uma feira. Quando o volume de negócios cresce a ponto de atrair galeristas semanas antes da abertura, quando colecionadores de outras regiões passam a incluir a cidade no calendário anual, quando o ecossistema local começa a ser pressionado por demanda real, é aí que o evento vira infraestrutura. É isso que está acontecendo com a FARGO.
Em sua oitava edição, aberta na última quarta-feira (13/5) no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, a Feira de Arte Goiás deu um salto que o mercado já vinha antecipando: de 30 para 50 estandes, com ocupação expandida para as galerias D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa, mais de 1.500 obras em exposição e galerias confirmadas de São Paulo, Brasília e de todo o Centro-Oeste.
A expectativa é receber mais de 30 mil visitantes até o encerramento, no domingo (17/5), ante os 20 mil da edição anterior, com 30% vindo de fora do estado. Os números traduzem algo mais difícil de quantificar, uma mudança de status. “A presença crescente de galeristas e outros agentes do meio na cidade semanas antes da abertura oficial evidencia uma dinâmica que ultrapassa o período da feira e se estende para relações de médio e longo prazo, impulsionando negócios, parcerias e a circulação de artistas”, observa Wanessa Cruz, diretora da FARGO e sócia da Casa Arte Plena.
O circuito brasileiro de arte contemporânea operou por décadas em torno de dois eixos. São Paulo concentrou o mercado e o Rio, a institucionalidade. O que a FARGO vem construindo desde 2017, e que esta edição torna mais legível, é a existência de um terceiro vetor, com lógica própria, enraizado no território e capaz de gerar fluxo em ambas as direções.
Artistas goianos já presentes em galerias paulistanas e cariocas dividem espaço com galerias de fora que chegam a Goiânia dispostas a descobrir o que o Centro-Oeste produz. Esse cruzamento, antes eventual, começa a se tornar estrutural. “Goiânia passa a ser percebida não apenas como um ponto de passagem, mas como destino estratégico para quem busca descobrir novos artistas, diversificar investimentos e acompanhar a produção contemporânea brasileira a partir de outros territórios”, afirma Sandro Tôrres, curador da FARGO e coordenador geral de projetos da Casa Arte Plena.
A ampliação também pressiona o ecossistema criativo local de forma concreta, gerando demanda por curadores, produtores, montadores e educadores, e fortalecendo uma cadeia que vai além do período da feira. É o tipo de impacto que transforma o calendário cultural em política de desenvolvimento.
Com o compromisso de valorizar artistas e a produção cultural local, a FARGO escolheu, em sua oitava edição, homenagear José César Teatini de Souza Clímaco, o ZéCésar, nome que se confunde com a própria história da gravura em Goiás.
Professor, gravurista e músico experimental, ZéCésar construiu uma trajetória que atravessa décadas de ensino e criação na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde formou gerações de artistas com rigor técnico e uma generosidade que poucos têm. Pelas suas mãos, o metal e a madeira ganharam vida, e a comunidade artística goiana encontrou um porto seguro de conhecimento.
A FARGO 2026 segue aberta ao público até domingo (17/5), com entrada gratuita, das 14h às 21h.
FARGO — Feira de Arte Goiás
Data: até 17 de maio de 2026
Horário: 14h às 21h
Entrada gratuita / MAC ACESSÍVEL
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer — MAC e galerias D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa — Goiânia (GO)
Instagram: @fargogoias
Programação completa: fargo.art.br