Unifesp recusou em 2013 oferta da União de prédio que desabou após avaliação apontar problemas na estrutura

Unifesp recusou em 2013 oferta da União de prédio que desabou após avaliação apontar problemas na estrutura

Imóvel foi oferecido em agosto de 2012 para instalação do curso de Direito. Recusa foi dada em abril de 2013 por conta de ‘problemas estruturais e de proteção contra incêndio’, diz reitoria.

A Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que em 2013 recusou a oferta da União para instalar o curso de Direito da instituição no prédio que desabou na madrugada de terça-feira (1), no Centro de São Paulo.

A oferta, segundo nota publicada no site da Universidade na quinta-feira (3), foi feita pela Secretaria de Patrimônio da União, em agosto de 2012 e recusada após avaliação, em abril de 2013.

“A avaliação, realizada pela Pró-Reitoria de Planejamento no início do primeiro mandato da reitora Soraya Smaili, demonstrou uma série de problemas no edifício que impediam o seu recebimento pela Unifesp, incluindo problemas estruturais e de proteção contra incêndio.”

A instituição diz ainda que, por se tratar de uma torre de escritórios, o imóvel era inadequado para a instalação de atividades de ensino.

“A União, proprietária do prédio, foi comunicada à época dos diversos problemas, que eram visíveis e notórios. A Unifesp não foi o único órgão público a recusar o imóvel; tanto as gestões [dos ex-prefeitos Kassab quanto Haddad recusaram recebê-lo, dado seu estado de abandono, deterioração e riscos estruturais.”

No ofício, enviado à Secretaria do Patrimônio da União no dia 29 de abril de 2013, a reitoria lista os problemas encontrados na vistoria realizada pela Universidade.

“Alagamento permanente do subsolo, com possíveis consequências nas fundações e pisos da garagem; descolamento da empena lateral em relação ao edifício vizinho, indicando necessidade de avaliação estrutural; descolamento de elementos de revestimento da fachada podendo atingir pedestres, existência de numeroso patrimônio da Polícia Federal que não foi retirado do local. Roubo e depredação de instalações diversas do imóvel, que precisam de ampla recuperação. Tombamento da fachada e piso, o que dificulta adaptações; não atendimento das normas de Bombeiros atuais, implicando em nova torre de escadas enclausuradas”.

O texto publicado na última quinta (3) também presta solidariedade às vítimas e seus familiares, e considera uma violência atribuir a responsabilidade da tragédia aos integrantes de ocupações, que lutam para ter o direito à moradia digna.

“Culpabilizá-los pelo ocorrido é uma nova violência, quando o Estado se omite em relação à preservação e uso de seu patrimônio, à segurança dos que ali estavam por falta de opção e seu atendimento habitacional correto e definitivo.”

Veja a íntegra da nota:

A Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) esclarece que o Edifício Wilson Paes de Almeida, localizado no Largo do Paiçandu, que incendiou e colapsou no dia 1 de maio, foi oferecido à Unifesp pela Secretaria de Patrimônio da União, em agosto de 2012, para instalação do curso de Direito, e recusado após avaliação, em abril de 2013, conforme ofício. A avaliação, realizada pela Pró-Reitoria de Planejamento no início do primeiro mandato da reitora Soraya Smaili, demonstrou uma série de problemas no edifício que impediam o seu recebimento pela Unifesp, incluindo problemas estruturais e de proteção contra incêndio. Por se tratar de uma torre de escritórios, também era inadequado para a instalação de atividades de ensino. A União, proprietária do prédio, foi comunicada à época dos diversos problemas, que eram visíveis e notórios. A Unifesp não foi o único órgão público a recusar o imóvel; tanto as gestões Kassab quanto Haddad recusaram recebê-lo, dado seu estado de abandono, deterioração e riscos estruturais.

Manifestamos nossa solidariedade às vítimas que, para garantir o direito à moradia e função social da propriedade, acabam ocupando imóveis abandonados, como esse, em uma ação de desespero. Culpabilizá-los pelo ocorrido é uma nova violência, quando o Estado se omite em relação à preservação e uso de seu patrimônio, à segurança dos que ali estavam por falta de opção e seu atendimento habitacional correto e definitivo.

fonte: g1

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