Na língua inglesa, retirement (aposentadoria) vem do francês antigo retirer. No século XIV, era uma expressão aplicada a táticas militares. Quando um exército em combate decidia recuar para uma posição segura, para se proteger ou se reorganizar, fazia uma retraite (retirada). Ou seja, aposentar-se seria recuar, afastar-se, sair de cena – algo que combina com a imagem de idosos assistindo passivamente à TV, sem um propósito de vida.
Por outro lado, o japonês possui um léxico extenso: nidome no jinsei (segunda vida), yutai (retirada corajosa para profissionais de alto nível), inkyo (idoso respeitado) e yuyu jiteki (vida de lazer). Tal variedade reflete não apenas uma tradição de usar eufemismos para evitar uma abordagem negativa, mas uma compreensão sutil da pós-carreira. Até a palavra japonesa para longevidade, choju, sugere “felicidade de uma vida longa”. De acordo com Matsumoto, é um conceito positivo, focado em homenagear os indivíduos a celebrar os marcos pós-aposentadoria.
A maioria dos vocábulos, contudo, se inclina para o recuo. A tradução literal do termo alemão Ruhestand é “estado de descanso”, que condiz com a nação que introduziu o primeiro sistema de previdência pública do mundo, no século XIX. O tuìxiū chinês combina caracteres que significam “recuar” e “descansar”. Em italiano, il pensionamento remete ao subsídio financeiro. São conceitos que têm origem na ascensão do Estado, quando os governos formalizaram as pensões.
No entanto, a palavra espanhola la jubilación, que deriva do latim jubilare – gritar de alegria – carrega a mesma raiz de júbilo. Em um cenário linguístico dominado pela ideia da retirada, jubilación permanece quase sozinha: uma expressão para o fim do trabalho que começa com comemoração.
No Brasil, aposentadoria vem do verbo latino pausare, que significa parar ou descansar. No português arcaico, o sentido do verbo aposentar é literalmente “dar aposento”, isto é, hospedar ou abrigar alguém. A transição para a acepção atual ocorreu quando o ato de dar um teto e sustento passou a ser associado ao que o Estado fazia pelos seus servidores no final da vida laboral. A questão central é que o cuidado com os mais velhos não pode se traduzir em confinamento e exclusão.






