Três dos quatro réus que respondem pela morte do então prefeito de Monte Alegre de Goiás, José da Silva Almeida, conhecido como Zé da Covanca, foram condenados em júri popular realizado 22 anos após o crime. De acordo com os registros da sessão, o quarto acusado teve Covid-19 e não pôde comparecer, por isso teve o processo desmembrado e será julgado em outro momento. Cabe recurso.
A decisão saiu ao fim da noite de quinta-feira (10), após mais de dez horas de sessão presidida pelo juiz Antônio Fernandes de Oliveira, no Fórum Cível de Goiânia. O júri chegou a ser adiado duas vezes – uma em 2016 e outra em 2021.
Confira as penas e por quais crimes os três réus foram condenados:
Advogado de Floriano e Luiz Carlos, Ronaldo David Guimarães informou que deve recorrer da decisão.
O g1 entrou em contato com a Defensoria Pública, que estaria representando José Roberto, às 6h20 desta sexta-feira (11), e aguarda retorno com posicionamento sobre o caso.
Além dos condenados, Antônio Pereira Damasceno também responde pelo crime, mas teve o processo desemembrado e será julgado em outra sessão por estar com Covid-19 na data do júri.
Segundo a decisão, todos os quatro réus estão respondendo pelo crime em liberdade e, segundo juiz, não há necessidade de pedir prisão preventiva deles.
De acordo com a denúncia do promotor de Justiça Jesi de Moura, o crime aconteceu no dia 25 de agosto de 1999 e teve motivação política. O então prefeito foi encapuzado e morto a tiros na porta de casa.
Segundo as investigações, o vice-prefeito à época, Antônio Pereira, encomendou a morte de Zé da Covanca para assumir a prefeitura da cidade no lugar dele, já que os dois teriam rompido politicamente.
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Ainda conforme o MP, José Roberto, atualmente na profissão de tapeceiro, foi demitido de um cargo que tinha na prefeitura e ajudou Antônio no planejamento do homicídio. A acusão descreveu que ele agenciou “a contratação e o transporte dos pistoleiros para a cidade”.
Já Floriano, que é policial civil, de acordo com a promotoria, perdeu uma posição que ocupava na administração meses antes do crime – a defesa afirma que ele próprio pediu afastamento para assumir cargo na Polícia Civil.
Segudo a acusação, ele emprestou o carro a José Roberto para transporte de mantimentos aos atiradores e, mesmo sabendo que o crime ocorreria, permaneceu em silêncio, descumprindo o dever de agente da segurança pública.
O MP descreveu, na acusação, que Luiz Carlos foi um dos atiradores que matou o então prefeito e que foi pago para cometer o crime.
De acordo com a denúncia, haveria outros dois executores, mas eles não são citados na decisão.
G1