
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta terça-feira (6) maioria para tornar réus outros sete denunciados por participação em uma trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder de forma ilegal.
Os sete fazem parte do núcleo 4, que seria responsável “operações estratégicas de desinformação”.
Essas operações teriam atendido a demandas do núcleo político, com intuito de promover a instabilidade social e criar cenário para uma ruptura institucional.
Votaram pela abertura de processo penal contra esse núcleo os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino e Luiz Fux.
Segundo a denúncia da PGR, o grupo propagou notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizou ataques virtuais a instituições e autoridades que ameaçavam os interesses do núcleo.
Conforme o Ministério Público, todos estavam “cientes do plano maior da organização e da eficácia de suas ações para a promoção de instabilidade social e consumação da ruptura institucional”.
Relator, Moraes ressaltou que a denúncia da Procuradoria traz os indícios que pesam contra cada um dos acusados, o que justifica a abertura da ação penal.
O ministro afirmou que as ações do núcleo da desinformação estão conectadas com o núcleo político, integrado por Bolsonaro, com o objetivo de atacar a credibilidade da Justiça e das eleições.
“As ações ganham ainda mais relevo quando observada a consonância entre os discursos públicos de Jair Messias Bolsonaro e os alvos escolhidos pela célula infiltrada na agência brasileira de inteligência”, afirmou.
Moraes disse ainda que “toda a estrutura do núcleo político cuja denúncia já foi recebida, instrumentalizando suas ordens pelo núcleo de desinformação, como narra a denúncia”.
A Procuradoria-Geral da República apontou que os sete denunciados teriam cometido os seguintes crimes:
No julgamento, os ministros ressaltaram os impactos da desinformação para as instituições e também para a sociedade.
Segundo a ministra Carmen Lúcia, a mentira virou um meio utilizados para destruir a confiabilidade institucional. Para a ministra, mentiras viraram comodities para comprar a antidemocracia.
“A mentira, é, muitas vezes, como um instrumento específico para uma finalidade. Como eu preciso de uma arma, arma como instrumento material para um assassinato, ou como um veneno. A mentira é um veneno político plantado socialmente e exponencialmente divulgado por rede, por plataformas e novas tecnologias, que hoje são grandes problemas”, afirmou Cármen.
De acordo com a ministra, isso não pode ser considerado de menor importância.
“Se fosse, os tribunais constitucionais do mundo inteiro não estariam tendo, neste tema, relativo à responsabilidade, legalidade e um emprego lícito e legítimo de tecnologias, e qual é o ilícito dessas redes. Os tribunais constitucionais não estariam debruçando isso como principal tema hoje de preocupação para a higidez democrática e a garantia das liberdades públicas”.
O ministro Flávio Dino lembrou casos de que a divulgação de fake news leva a assassinatos.
G1