Da Agência Brasil – As exportações de bens pelo Brasil totalizaram US$ 17,810 bilhões em agosto, enquanto as importações custaram US$ 11,850 bilhões. Com o resultado, a balança comercial do país teve superávit de US$ 5,960 bilhões, diante de US$ 3,552 bilhões no mesmo mês do ano passado. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Banco Central (BC).

De janeiro a agosto, segundo os dados do BC, o superávit comercial chegou a US$ 31,870 bilhões, ante US$ 27,462 bilhões do mesmo período de 2019. Por outro lado, houve déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte e aluguel de equipamentos, entre outros) – US$ 1,346 bilhão em agosto, ante US$ 2,228 bilhões em igual período de 2019.

Nos oito primeiros meses do ano, o saldo negativo no setor de serviços internacionais chegou a US$ 13,727 bilhões, resultado menor que o registrado de janeiro a agosto de 2019, de US$ 23,087 bilhões.

Viagens internacionais
O resultado das viagens internacionais – que fazem parte da conta de serviços – ficou negativo em US$ 123 milhões, contra US$ 842 milhões em agosto de 2019. O saldo do mês passado é o menor para agosto desde 2005 (US$ 103 milhões).

O saldo de viagens internacionais é formado pelas receitas de estrangeiros no Brasil, no valor de US$ 146 milhões, e os gastos de brasileiros no exterior, de US$ 270 milhões. De janeiro a agosto, as despesas superaram as receitas em US$ 1,892 bilhão, contra o saldo também negativo de US$ 7,872 bilhões em igual período de 2019.

As viagens internacionais têm sido afetadas pelas restrições de entrada e saída dos países e pelas medidas de isolamento social, necessárias para o enfrentamento da pandemia da covid-19.

Rendas
Em agosto, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 1,188 bilhão, contra US$ 8,165 bilhões no mesmo período de 2019. De janeiro a agosto, o saldo negativo ficou em US$ 28,464 bilhões, ante US$ 39,092 bilhões em igual período do ano passado.

A conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 295 milhões, contra US$ 325 milhões em agosto de 2019. Nos oito primeiros meses do ano, o resultado positivo chegou a US$ 1,782 bilhão, ante US$ 697 milhões em igual período de 2019.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a alta do dólar tem incentivado o envio de recursos de brasileiros que moram no exterior para a família no Brasil.

Investimentos
Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 1,430 bilhão no mês passado, ante US$ 9,524 bilhões em agosto de 2019. “As incertezas decorrentes da pandemia e seus impactos na economia mundial continuam apesar dos investimentos diretos”, disse Rocha.

De janeiro a agosto, o IDP chegou a US$ 26,957 bilhões, ante US$ 46 bilhões nos oito primeiros meses de 2019. Nos 12 meses encerrados em agosto de 2020, o IDP totalizou US$ 54,5 bilhões, correspondendo a 3,51% do PIB, em comparação a US$ 62,6 bilhões (3,94% do PIB) em julho. Esse é o menor resultado acumulado em 12 meses desde agosto de 2010, quando ficou em US$ 50,795 bilhões.

Em agosto, os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram ingressos líquidos (descontadas as saídas) de US$ 2,345 bilhões, dos quais US$ 2,045 bilhões em títulos de dívida e US$ 300 milhões em ações e fundos de investimento.

Nos oito primeiros meses de 2020, houve saídas líquidas de US$ 28,281 bilhões, contra ingressos líquidos de US$ 7,509 bilhões, em período similar do ano passado. A saída registrada de janeiro a agosto é a maior da série do BC, iniciada em 1995.