As exportações de carne bovina seguem em alta, contribuindo para sustentar os elevados preços da arroba do boi gordo no mercado doméstico. O Estado de Goiás, por exemplo, registrou incremento de 16,8% nos valores das exportações de carne bovina no 1º semestre de 2020. Já na produção de grãos, tanto Goiás quanto Brasil seguem confirmando volume recorde na safra 2019/2020, que está chegando ao fim. Com isso, Goiás se tornou o terceiro maior produtor de soja, com crescimento de 9,0% em relação à safra anterior (2018/2019). Essas informações integram a edição de agosto do Boletim Agro em Dados, publicação mensal do Governo de Goiás que traz números e análises do setor agropecuário goiano e nacional. O material é elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e está disponível no site da pasta: www.agricultura.go.gov.br.

De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, as informações publicadas no Agro em Dados comprovam a relevância do setor agropecuário para a retomada econômica no Brasil e em Goiás. “Estamos em um momento decisivo para os rumos que a economia goiana deve seguir nos próximos meses. Isso porque o pós-pandemia, que deve se anunciar em breve, vai requerer das economias de todo o mundo esforços significativos para uma guinada positiva. Em Goiás, por determinação do governador Ronaldo Caiado, estamos um passo a frente desse momento. A nova Secretaria da Retomada, cuja efetivação se deu logo no início deste mês, será um diferencial que vai não só agregar à estratégia do Governo de Goiás para uma política pública voltada ao crescimento, mas também será ponta de lança para captar investimentos, acertar alinhamentos estratégicos para o Estado e aglutinar ações positivas voltadas ao desenvolvimento de todos os setores, inclusive o nosso agro”, destaca.

Ele enfatiza ainda que o agro é peça fundamental nessa retomada prevista pelo governo e isso devido aos resultados expressivos conquistados pelo setor que não parou, se adaptou e ainda conseguiu crescer em meio ao caos vivido com a Covid-19. “Só nesta edição do Agro em Dados trazemos exemplos de produtos e commodities que têm alavancando cada vez mais nossa economia. É o caso da carne bovina, cana-de-açúcar, soja, milho e outras atividades que só fortalecem nosso segmento em Goiás, resultando na geração de emprego e renda para o Estado”, reforça.

Pecuária de corte
De acordo com análise feita pela Gerência de Inteligência de Mercado da Superintendência de Produção Rural Sustentável da Seapa e publicada no Agro em Dados deste mês, o dólar valorizado frente ao real tem contribuído para a competitividade da carne bovina brasileira no cenário mundial. Em relação à demanda, no mercado externo, no primeiro semestre de 2020, o volume nacional de embarques seguiu ritmo acelerado de crescimento, superando 900 mil toneladas, com incremento de 9,3%. O montante atingiu US$ 3,92 bilhões, com alta de 25,7% sobre o mesmo período de 2019 e participação de 47,3% do valor das exportações do complexo carnes no País.

A China continua sendo o principal destino dessa commodity, com 46,7% do valor exportado em 2020. Mas, atualmente, a carne bovina brasileira é embarcada para 137 destinos, conquistando novos mercados, devido à qualidade do produto ofertado pelo país, sustentada por investimentos em tecnologia, sanidade e controle dos sistemas de produção.

Já o estado de Goiás registrou incremento de 16,8% nos valores das exportações de carne bovina no 1º semestre de 2020, em comparação com o mesmo semestre de 2019. Nesse período, a carne bovina goiana teve 63 países como destino, foram 118 mil toneladas e montante de US$ 527,5 milhões, o que representa 73,9% das exportações do complexo carnes do estado. O principal destino da carne bovina goiana também é a China. A expectativa é de crescimento para este destino, em que em junho de 2020 registrou variação em volume de 202,0%, em relação a junho de 2019.

Já no cenário interno, o Agro em Dados revela que a retração da renda das famílias, por causa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, tem contribuído para a queda no consumo de carnes bovinas, com a população optando por proteínas animais substitutas de menor preço. “A expectativa é que ocorra uma reação da demanda interna, principalmente devido à abertura do comércio, impactando de forma positiva os segmentos atacadistas e varejistas”, avalia o superintendente de Produção Rural Sustentável da Seapa, Donalvam Maia.

Em relação ao preço médio mensal da arroba do boi gordo, o indicador CEPEA/B3, informado no Agro em Dados, aponta que a média de junho foi de R$ 209,87, se tornando a 3ª maior desde 1994, em termos reais, e nas primeiras semanas de julho a média registra R$ 220,19. Em Goiás, a Conab registrou em junho alta de 8,4% ante maio, e nas três primeiras semanas de julho, a média da arroba do boi gordo ficou em R$ 207,47. Com isso, a tendência, diante do cenário de demanda externa aquecida e restrição na oferta, é que os preços sigam elevados.

Soja

De acordo com avaliação publicada no Agro em Dados, as boas condições do mercado e o recorde da produção de grãos têm impactado positivamente o segmento de soja. A estimativa de produção nacional na safra 2019/2020 superou os 120 milhões de toneladas, volume 5,1% maior que na safra anterior. Com o problema climático no Rio Grande do Sul e o ganho de produção e de produtividade da soja goiana, o Estado de Goiás se tornou o 3º maior produtor de grãos do País, com estimativa de 12,4 milhões de toneladas de soja, com taxa de crescimento da produção de 9,0% e da produtividade de 6,9%.

O superintendente Donalvam Maia explica que na comercialização internacional, no primeiro semestre de 2020, as estatísticas de exportação ratificam a importância da soja e seu bom desempenho tem contribuído, sobretudo, para a geração de divisas. O complexo soja nacional foi destinado para 99 países neste 1ª semestre do ano, e a China foi o principal destino, com o montante de US$ 14,8 bilhões e 43,5 milhões de toneladas, representando 62,1% e 62,5% do total exportado desse complexo, respectivamente. Já Goiás exportou para 38 destinos nesse período, e a participação chinesa no Estado ainda é maior que na média do País, em que mais de 70% da soja goiana exportada é para a China.

O Agro em Dados revela ainda que a soja em grão é o principal produto exportado do complexo soja em Goiás, e possui grande peso por, entre outras finalidades, fazer parte da suplementação animal. “O farelo de soja é responsável por quase todo o restante da totalidade do valor exportado, isso mostra que Goiás exporta em sua grande maioria a matéria-prima. O óleo de soja bruto e o óleo de soja refinado juntos representam apenas 2,8%, há potencial para expandir esse mercado e agregar valor nessa cadeia produtiva”, informa Donalvam.

Cana-de-açúcar
Segundo maior produtor do país, Goiás estima produção de 75,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra atual, incremento de 0,7% em relação à safra anterior, puxado pelo aumento da área plantada no Estado. De acordo com a gerente de Inteligência de Mercado da Seapa, Juliana Dias Lopes, as usinas instaladas em Goiás destinam, majoritariamente, cana-de-açúcar para fabricação de etanol e uma menor quantidade para açúcar. Ela cita que a destinação para produção de açúcar foi de apenas 17,3% da cana na safra anterior e, seguindo a tendência nacional, a expectativa é que passe para 23,5% na safra atual. O açúcar exportado por Goiás tem como destino 40 dos 132 países com os quais o Brasil comercializa.

Jurisdicionadas
O Agro em Dados também traz informações sobre as jurisdicionadas à Seapa. No caso da Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO), estão disponíveis dados sobre a comercialização de alimentos. Em junho deste ano, foram 71,2 mil toneladas de alimentos, montante de R$ 160,1 milhões. A taxa de crescimento em relação ao mês anterior foi de 3,05% em volume.

A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) ressalta a importância do Emater Mobi, aplicativo desenvolvido com o intuito de aproximar o produtor rural e os técnicos de extensão rural, criando um canal de comunicação direto, com atendimento de forma remota e virtual. A plataforma agiliza o processo de suporte, sem que haja necessidade de deslocamento do produtor ao escritório local e/ou do técnico extensionista à propriedade rural. Em todo o estado, 48,8% dos municípios já possuem produtores rurais utilizando essa ferramenta.

Já Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) aborda o Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago), em que os produtores rurais têm acesso rápido e seguro, por meio remoto (computador ou celular), à emissão de documentos de trânsito animal, consultas de saldo de rebanho, declaração de vacinação, entre outros. Atualmente, 38,8% dos produtores rurais do Estado utilizam a tecnologia.

Acesse aqui a versão completa do Agro em Dados.

Comunicação Setorial Seapa – Governo de Goiás